NR-01 e riscos psicossociais: os 6 erros mais comuns quando a empresa tenta fazer “sozinha” – e como evitar

Com a NR-01 reforçando a lógica de identificação, avaliação e controle de riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais – GRO e Programa de Gerenciamento de Riscos – PGR, muitas organizações perceberam que riscos psicossociais não cabem mais no campo do bem-estar como algo opcional ou apenas cultural.  

Na prática, o tema exige método, confidencialidade, boa leitura de dados e principalmente capacidade de transformar diagnóstico em gestão. E é aqui que aparece um padrão: empresas bem-intencionadas tentam resolver internamente e acabam cometendo erros que reduzem a adesão, fragilizam a confiabilidade e geram planos de ação que não saem do papel.

Abaixo listamos os 6 erros mais comuns no monitoramento de riscos psicossociais quando as empresas fazem sozinhas:

1) Reduzir a uma simples pesquisa

Um questionário pode ser uma parte do processo, mas não o processo inteiro. Quando a empresa reduz tudo a um formulário, perde o essencial: não sabem o que estão medindo, não fazem os recortes necessários, não analisam outras informações importantes e não montam plano de ação com priorização e governança. O resultado é um relatório bonitinho, mas com pouca confiabilidade e poucas mudanças práticas.

2) Confundir psicossocial com saúde mental individual

Risco psicossocial é, majoritariamente, sobre condições de trabalho e organização do trabalho, envolvendo fatores como: demandas, autonomia, clareza de papéis, suporte de liderança, justiça organizacional, conflitos, assédio, comunicação, mudanças, metas e recursos.

Quando o RH trata como algo do indivíduo, a empresa pode passar a impressão de que o colaborador é culpado por não dar conta; investe em ações que não atacam a causa e reduz a credibilidade do projeto. 

A saúde mental é importante, mas a gestão de risco psicossocial é mais ampla, estruturante e fundamental para as empresas.

3) Falta de neutralidade 

Quando a condução é toda interna, surgem dúvidas legítimas, como:

Quem vai ver minhas respostas?  

Isso vai afetar minha carreira?  

Vão usar isso contra mim, meu gestor ou minha área?

Se a percepção de confiança cai, a adesão cai junto e o dado fica enviesado.

Se a taxa de adesão nas suas pesquisas é baixa, o índice de respostas neutras é alto e os comentários são genéricos, saiba que a confiança está baixa. 

4) Divulgar o resultado e pedir um plano para cada gestor

Esse é um dos pontos mais delicados: jogar o plano no colo da liderança sem repertório, sem priorização e sem suporte. A liderança até quer ajudar, mas sem um modelo de ação, eles ficam perdidos e acabam propondo ações rasas como: palestras, brindes ou ações desconectadas do risco real e a consequência é o descrédito do RH e da empresa.

O plano precisa de método, prazos, responsáveis, indicadores e acompanhamento.

5) Tentar resolver tudo em vez de priorizar risco

Riscos psicossociais não se tratam com uma lista infinita de ações.

O que funciona é identificar poucos focos críticos, – os que mais geram dano e probabilidade – definir controles e mudanças de processo e acompanhar com ciclos curtos de revisão. Sem priorização, o projeto vira um “inventário de dores” que cansa a organização.

6) Ignorar o pós-diagnóstico: comunicação e segurança psicológica

Não basta medir. É preciso conversar sobre o que foi encontrado com maturidade. E aqui existem dois riscos principais: 1. comunicação defensiva, com os gestores minimizando o que foi encontrado e dizendo “não é bem assim…” 2. exposição indevida de áreas.

Um bom processo protege pessoas e, ao mesmo tempo, dá clareza para a empresa agir.

Se você quiser fugir desses erros é importante:

  • Utilizar metodologia robusta e replicável para sustentar o PGR/GRO e a governança interna;  
  • Ter neutralidade e confidencialidade percebida pela equipe para aumentar a adesão e qualidade do dado;  
  • Realizar diagnóstico e tradução dos dados para plano de ação com priorização e acompanhamento;  
  • Oferecer suporte real à liderança para transformar intenção em mudança;  
  • Realizar monitoramento contínuo para que não seja apenas um projeto de uma vez por ano.

Sua empresa já está pronta para a fiscalização? Conte com a Rêve para te apoiar.

Compartilhe:

Assina nossa Newsletter

Fique por dentro de notícias, vagas e muito mais.