Se você, as lideranças da empresa e sua área de Gestão de Pessoas ainda não perceberam isso, tem problema sério logo ali, dobrando a esquina do primeiro trimestre.
Não temos a menor intenção de analisar política e economicamente o país ou esgotar as considerações sobre este ano, mas pensamos aqui que um breve radar de 2026 pode te ajudar a refletir sobre o que priorizar e onde deve estar o foco da área de Gestão de Pessoas.
É bem comum que o início do ano seja o momento dos últimos ajustes no planejamento estratégico. Para algumas empresas, a estratégia do ano já está ajustada. Para outras, ainda está em construção. Mas, independentemente do estágio, 2026 começa deixando um recado claro: este será um ano com muitas variáveis a serem consideradas para o processo de tomada de decisão.
Do ponto de vista macro, 2026 traz uma combinação desafiadora:
✔️ muitos feriados, com impacto direto na produtividade e no comércio;
✔️ Copa do Mundo no meio do ano, influenciando comportamento, foco e consumo;
✔️ eleições no segundo semestre, aumentando a instabilidade política e, consequentemente, a volatilidade cambial.
✔️ juros ainda elevados, o que encarece o crédito e torna o custo de capital mais alto, especialmente para projetos de expansão.
✔️ testes atrelados à Reforma Tributária, com necessidade de adaptação de sistemas, revisão de processos e capacitaçõa de pessoas para lidar com tributos como IBS e CBS.
✔️ pressão crescente sobre os custos, apertando margens e impactando em competitividade por preço.
E onde entra o RH em tudo isso?
Onde ele já deveria estar: sendo pilar da estratégia.
O RH de 2026 não pode — e não deve — se colocar à margem das decisões financeiras da empresa. Pelo contrário: ele precisa estar profundamente alinhado à estratégia de caixa, trabalhando lado a lado com a área financeira e com o board para sustentar a estratégia de negócios por meio das pessoas.
Isso passa, necessariamente, por:
- olhar o caixa com rigor e responsabilidade;
- direcionar estratégias para aproveitamento das habilidades já existentes nos times;
- buscar soluções que aumentem produtividade sem inflar a estrutura.
Políticas ligadas à organização do trabalho e ao uso inteligente do tempo ganham ainda mais relevância. E, nesse contexto, a Inteligência Artificial deixa de ser tendência e passa a ser ferramenta obrigatória para ganho de produtividade.
Estamos falando de um RH que se envolve com as trilhas de softskills e também de hardskills, em especial, quando o assunto é letramento digital, assumindo papel ativo na capacitação técnica das equipes e líderes para o uso prático da IA, dos sistemas internos e das adaptações às novas exigências legais da Reforma Tributária. Isso exige um alinhamento muito próximo com a área de tecnologia e investimentos voltados para operação, compliance e eficiência.
A liderança, por sua vez, precisa estar preparada para sustentar a estratégia dentro das operações. Desenvolver líderes em 2026 é garantir que eles consigam traduzir decisões estratégicas em execução consistente, mesmo em um ambiente instável.
E, fechando o radar, há um ponto que não pode ser negligenciado: as mudanças da NR-01. A partir do primeiro semestre, as empresas passam a ser fiscalizadas quanto ao mapeamento e à gestão dos riscos psicossociais. Saúde mental deixa definitivamente o campo do discurso e passa a ser uma exigência legal. Cabe ao RH garantir que esses riscos estejam mapeados, que existam ações concretas implementadas e, principalmente, que a empresa consiga trazer evidências dessa gestão na prática.
O Radar 2026 mostra um cenário complexo, desafiador e que demandará uma atuação extremamente estratégica da área de Gestão de Pessoas.
Planejar este ano não é apenas olhar para dentro. É entender o que está acontecendo fora — e decidir, com clareza, como pessoas, tecnologia e estratégia vão sustentar os resultados do negócio.